Após vaguear longa e repentinamente pelo museu futuro das minhas memórias, penduradas por fios de medo nestas paredes de ar hostil e branco, suplico-te: empresta-me um beijo.Urge sermos.
Existe um excesso de tempo neste agora.
Existe um cúmulo de espaço neste aqui.
Guardo a tua sombra encostada ao meu peito como um buraco sem estrelas.
Espero nesta falsa quietude o inevitável que já passou, enquanto te suplico: empresta-me um beijo.
Agora tudo me parece tarde e rápido. Será qualquer coisa de igual e diferente, previsível e surpreendente. O olhar estranho, cego e distante. A loja triste na colina de sal. Deixo-me correr emprestado de carne e água, enquanto espero por ti e te suplico: empresta-me u
m beijo.Antes abrem-se novamente as portas.
Regresso pela primeira vez ao passado dos quadros a pintar.
Agarro-me.
Reconheço as cores desse branco, preparo-me para correr à procura dos corredores vazios de mim, enquanto te suplico: empresta-me um beijo.
AN







