I. Quando o vento deixar de soprar, então partirei. Enquanto a música do meu ser permanecer acordada no interior da noite, enquanto o odor de um certo delírio líquido e sequioso querer se mantiver desperto, acariciando as sementes lúcidas da minha carne, então, só então, partirei. Por que o silêncio se eleva como uma ordem carente de paixão, oscilante e serena de querer a inevitabilidade: o mar do meu eterno devir.II. Regresso à terra brava e silvestre onde nasci. Regresso ao coração mole e doce de que já fui sem querer ser. Só sei e nem isso. Quando pisar a terra do meu regresso, poderei iniciar essa viagem que me conduzirá por cores, sons, aromas, e texturas que sempre me preencheram sem que algo mais me bastasse, sem que o Sol, a Lua, a noite e o dia, a morte e a vida, me deixassem sair de mim, sem que as metamorfoses equilibradas de um certo sonho encarnassem nas margens da realidade.
III. Um quarto de coragens amarradas ao adormecimento amnésico de uma c
obardia apaixonante. Quero sempre um outro desejar. Equilibro-me ao cair. Sempre passado, presente, futuro. Um futuro agarrado ao impossível retorno. Quando o amor se abriu tu saíste, olhando a paz com um sorriso de sal, iluminada com o odor de uma eternidade que fértil sussurrava o dia ainda adormecido e frio. Quando me ergueste para te tocar, morri.AN

1 comentários:
Está LIIIIINDO!!! Magnificamente bonito e profundo. Parabéns!
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